Melbourne – Primeira caminhada

As casas no bairro onde estou não oferecem a menor segurança. Os muros são baixos, às vezes nem muros tem, praticamente todas tem jardins, o que é um perigo, seja por conta dos insetos ou pela possibilidade de criminosos ali se esconderem. A casa onde estou deve ser a mais perigosa, a porta da rua não é trancada durante o dia, exceto à noite, quando alguém lembra de fazer isso, e eu conferi nestes dois dias, ninguém a trancou. E essa casa também não tem muro, nem segurança 24 horas na porta. Ops, mas ainda assim consegue ser uma casa com segurança! Pasmem, não tenho chaves da casa, basta abrir a porta e entrar. Simples assim, e quem não é convidado não entra.

Tem muito verde aqui, pouco cinza, droga! Não tem poluição, meu nariz tá estranhando, está sangrando durante à noite, deve ser o ar condicionado que deixa o ar seco. A água da torneira é a melhor do mundo, segundo o proprietário da casa. Mas não leve isso em consideração, os romanos dizem o mesmo de sua água e certamente em algum município brasileiro onde haja água direto da fonte, também dirão o mesmo.

Aqui poderia ser Estocolmo, mas o clima lembra que não é, aqui poderia ser Berna, mas a direção inglesa dos carros avisa que não, aqui poderia ser New York, mas não é, afinal é chata, “o governo é bom, a economia vai bem, é uma das cidades mais seguras do mundo, mas é chata, não há muito o que fazer”, frase proferida por uma adolescente australiana. Sim, tudo é relativo nessa vida, inclusive considerar Melbourne um lugar boring ou não. Cada um com seus problemas…convidei-a para conhecer São Paulo, talvez ela transforme suas impressões, talvez não.

As bicicletas ficam nos jardins, sem cadeados, algumas casas exibem na caixa de correio “no junk mail”. E suponho que os carteiros e empresas devem respeitar, provavelmente existam multas aos desrespeitosos, e assim as “correspondências lixo” não são postadas. A natureza agradece!

A natureza também agradece às calçadas, todas neste bairro possuem árvores e grama, a lateral externa da calçada tem grama e a parte interna, asfalto. Algumas placas de carros exibem a mensagem “VIC, a place to be”. Sim, Victoria é um estado para estar! Ser gente, ser feliz, ser livre!

Só que não, as ruas possuem placas de velocidade (50 km/hora), como na Marginal Tietê, em São Paulo. Ninguém pode ser feliz com essa velocidade, mas ok, não deve mesmo valer a pena ter uma Ferrari, vou andar de bike, consegui uma emprestada para ir até a praia.

Jefferson Rubbo

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